{"id":8695,"date":"2020-05-18T16:27:20","date_gmt":"2020-05-18T14:27:20","guid":{"rendered":"https:\/\/mariaroja.com\/o-corpo-como-eixo-politico-na-performance-feminista\/"},"modified":"2020-05-18T16:27:20","modified_gmt":"2020-05-18T14:27:20","slug":"o-corpo-como-eixo-politico-na-performance-feminista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mariaroja.com\/gl\/o-corpo-como-eixo-politico-na-performance-feminista\/","title":{"rendered":"O corpo como eixo pol\u00edtico na performance feminista"},"content":{"rendered":"<div  class='flex_column av-av_one_fifth-692a56cb27b4036f41891925b87c1c70 av_one_fifth  avia-builder-el-0  el_before_av_three_fifth  avia-builder-el-first  first flex_column_div  '     ><\/div>\n<div  class='flex_column av-av_three_fifth-7bd3f5cd863a6256abcb544d7c276d96 av_three_fifth  avia-builder-el-1  el_after_av_one_fifth  el_before_av_one_fifth  flex_column_div  '     ><section  class='av_textblock_section av-lnkf2y5e-e20be46b9eb9fa301397a34b020ec5a5 '   itemscope=\"itemscope\" itemtype=\"https:\/\/schema.org\/BlogPosting\" itemprop=\"blogPost\" ><div class='avia_textblock'  itemprop=\"text\" ><h3>O corpo como eixo pol\u00edtico na performance feminista<\/h3>\n<p><strong>O traballo de Mar\u00eda Roja no artigo de Helena Salgueiro para Galiza Livre<\/strong><\/p>\n<p>A arte de ac\u00e7om sempre tivo um importante componhente pol\u00edtico. O feminismo valeu-se da performance como forma art\u00edstica bem acaida para umha desestrutura\u00e7om da identidade e resignifica\u00e7om do corpo. O estar, o atuar, o mover-se, o amosar-se, o situar-se como um enunciado performativo. O corpo como meio que habitar politicamente.<br \/>\nDesde o feminismo da segunda onda, as mulheres come\u00e7amos a redescubrir e reapropiar-nos do nosso corpo. A revolu\u00e7om sexual, os dereitos reprodutivos ou a subversom do g\u00e9nero instalarom-no no ponto de mira. Muita arte de ac\u00e7om feminista tem que ver co sexo ou o espido. Tamb\u00e9m com os flu\u00eddos: o belo e o terr\u00edvel do que falava Rilke, ou o grotesco de Bajt\u00edn. Apontar o socialmente desagrad\u00e1vel e resignific\u00e1-lo, amosar a sua bele\u00e7a.<br \/>\nA desatomiza\u00e7om e a autoconfigura\u00e7om consciente do corpo, um corpo que se desprende da norma, que decide existir a trav\u00eas da experi\u00eancia e nom como umha estrutura, como um organismo, ou parte dum sistema, ou oprimido por um Estado. O corpo da performer feminista bem poderia ser o corpo sem \u00f3rganos do que falava Deleuze, o qual se basseiou no pensamento do te\u00f3rico teatral Antonin Artaud. Aliviar-se dos pontos que nos fixam e ancoram numha realidade. O g\u00e9nero, a bele\u00e7a, os afetos.<br \/>\nAo figurarmo-nos a imagem deste corpo sem \u00f3rganos pensamos instantaneamente na performatividade do g\u00e9nero de Judith Butler, que trata o corpo e o g\u00e9nero desde um ponto de vista fenomenol\u00f3gico. Plural, subversivo. A percep\u00e7om do suxeito no mundo meiante o palp\u00e1vel fronte umha res extensa.<br \/>\nO corporal sempre foi ligado ao demon\u00edaco em contraposi\u00e7om com a es\u00eancia. A experi\u00eancia fronte \u00e0 es\u00eancia, a bruxa fronte ao p\u00e1rroco.<br \/>\nUmha er\u00f3tica da arte e nom umha hermen\u00e9utica da arte, como avogaba Susan Sontag.<br \/>\nEnarborar a bele\u00e7a do caos, rejeitar a autoridade das etiquetas ou os sistemas. Reposuir a carne como um escen\u00e1rio do caos.<br \/>\nPodemos identificar distintos conceitos, trabalhar distintas images na performance feminista: o estudo do exceso e asf\u00edxia representando estruturas sociais no corpo (como trata a acad\u00e9mica Alessandra Montagner), a ironia do corpo como objeto ou t\u00edtere, a orgulhosa exalta\u00e7om dos flu\u00eddos como o sangue menstrual ou o mexo (veja-se Cuerpos y flu\u00eddos de Emilio Tarazona), a venera\u00e7om versus banaliza\u00e7om dos genitais, a conceptualiza\u00e7om do corpo a trav\u00eas da paisagem, a simboliza\u00e7om com o corpo dumha viol\u00eancia ativa (a arma) ou passiva (a viola\u00e7om), o empoderamento do corpo a trav\u00eas da dor auto-infringida, a expresom liberadora do coito ritualizado, etc.<\/p>\n<p>Umha periferia fora da periferia<\/p>\n<p>Nom entraremos no ermo debate sobre se a arte que trata o feito mulher desde umha perspetiva auto-consciente, de nom explicitar-se, \u00e9 arte feminista ou nom. Ainda assi, todas as que conhe\u00e7amos a obra de Marina Abramovic admitiremos que \u00e9 um importante referente na performance feminista. E por\u00e9m, ela afirma em v\u00e1rias ocasons nom ser feminista. Pode a obra desvencelhar-se da artista?<br \/>\nSecas\u00ed, Abramovic fixo do seu corpo um campo de batalha, dun jeito quase literal. Em Belgrado, a performer deixou 72 objetos numha mesa (desde umha rosa at\u00e9 umha pistola carregada) para que a audi\u00eancia lhe figera o que quigesse com eles. Depois de horas, ela rematou espida, vexada, ensanguentada e cheia de b\u00e1goas. Era 1974. Noutras performance, tumba-se espida num bloco de gelo (nesta linha, a performer chinesa Xiaou Lu, tentando libertar-se dumha cela de gelo cum coitelo, cortou-se as mans), estampa-se contra umha parede (parodiada no filme La grande belezza) ou auto-infringe-se feridas (a presen\u00e7a da performatividade na dramat\u00fargia de Ang\u00e9lica Lidell tamb\u00e9m bebe disso).O sufrimento cat\u00e1rtico, abranger os l\u00edmites do corpo, experimentar com o sufrimento, com a pot\u00eancia, com o poder, com o empoderamento.<br \/>\nEla \u00e9 o exemplo por antonomasia da arte de ac\u00e7om Occidental. Agora pregunto: que performer se nos vem \u00e0 cabe\u00e7a se desbotamos Europa ou Estados Unidos? Desde o meu curto entendemento, e com muito pessar, reconhe\u00e7o que se contavam at\u00e9 bem pouco com os dedos dumha mam.<br \/>\nJunto com Abramovic, atopa-se Carolee Scheeman, precursora do Body Art, que por exemplo saca um rolo de papel da vulva e l\u00ea um texto na performance Interior Scroll. Ela localiza o pensamento dentro do corpo, nom da mente. Em Eye Scroll, f\u00edlma-se as transforma\u00e7ons do seu corpo espido em estado de trance.<br \/>\nComo elas, muitas pioneiras da performance feminista e avant-garde entre os 60-80 eram mulheres brancas, ocidentais, de clase meia, cis, heterosexuais. O seu trabalho era radical e necess\u00e1rio, mas habia um suco que atravessava a arte de ac\u00e7om feminista. Onde estavam o resto?<br \/>\nHogano a performance feminista abrange um espectro geo-pol\u00edtico mais amplo, ali\u00e1s de se colectivizar e nom s\u00f3 formar parte dumha elite intelectual. Performance feminista pode ser umha guerrilla performance (como a denominam as Pussy Riot) at\u00e9 o Um violador no teu caminho, passando por drag queens, por umha Govend bailada por guerrilheiras do Kurdistan, por Isto nom \u00e9 umha performance feminista de Shannon Williams, polo baile umha a umha de Zinzi Minott com membros da audi\u00eancia exclusivamente trans negras, por Rummana Hussain exibindo a roupa que vestiam as v\u00edtimas dumha viola\u00e7om no momento de serem asaltadas na India, pola reflexom da identidade africana a trav\u00eas da representa\u00e7om da deusa Mami Wata no corpo de Ato Malinda, por okupar umha casa e fazer assembleia, polos autocoidados, pola vagina de Deborah de Robertis amosada no Museo de Orsay frente de A origem do mundo, at\u00e9 pintar quadros com sangue menstrual, sacar ovos da vagina, ou arrastrar v\u00edsceras e botar mexos no Audit\u00f3rio de Galiza. *<\/p>\n<p>Os corpos descolonizando-se<\/p>\n<p>As narrativas das na\u00e7ons que compartem umha mem\u00f3ria de coloniza\u00e7om afincada nas identidades e nos corpos (sem cometer o erro de encarnar o conceito de na\u00e7om na mulher, como Helena Carballeira estuda em Galiza, um povo sentimental?) tenhem umha dobre vertente pol\u00edtica e emborcam plenamente essa dial\u00e9ctica de opresom e liberta\u00e7om f\u00edsica na performance feminista. A artista Marina Barsy Janer (Puerto Rico) trata isto en DERMIS COMUNAL: Transmutaci\u00f3n de una epistemolog\u00eda colonial, onde o seu corpo est\u00e1 cravado, a jeito de acupuntura, com alfinetes em forma de abelha, com a palavra colonia pintada nas costas.<br \/>\n\u00c0s vezes v\u00ea-se um claro v\u00ednculo com a nature\u00e7a que nos remite ao ecofeminismo. A artista cubana Ana Mendieta estabelecia um di\u00e1logo entre si e os elementos da nature\u00e7a na sua s\u00e9rie Siluetas com lama, areia, erva e mesmo lume.<br \/>\nMaria Evelia Marmolejo envolveu-se em gasa e fijo um lavado vaginal no rio Cuca, em Colombia, contra o cambio clim\u00e1tico. Tamb\u00e9m, no 1981, cortou os seus p\u00e9s e caminhou ensanguentada sobre papel branco na Plazoleta del Centro Administrativo Municipal, em Cali, em protesto contra do regime de Ayala.<br \/>\nNa performance Presencia Regina Jos\u00e9 Galindo fala sobre o feminic\u00eddio, coberta de bolsas de pl\u00e1stico ou terra.<br \/>\nNa performance Women of the hill de Hanna-tuulikki, na ilha escocesa de Skye, explora-se a nature\u00e7a, o folklore e a arqueolog\u00eda escocesa meiante o corpo e a voz da muller. Tamb\u00e9m Into the Mountain \u2013nas Terras Altas- un trabalho de movimento gravado enm 88 mm com textos da escritora Nan Shepherd, vincula o corpo feminino com a paisagem. A artista escocesa Rhiannon Armstrong trabalha com elementos naturais para fazer performance \u00edntimas (s\u00f3 cumha persoa de audi\u00eancia). Entre outros espa\u00e7os, realizou performances en prisons.<br \/>\nNa Galiza, mencionamos especialmente o trabalho de 3 performers cumha trajet\u00f3ria not\u00f3ria no \u00e1mbito da arte de ac\u00e7om, como som Ana Gesto, Mar\u00eda Roja e Mar\u00eda Marticorena.<br \/>\nCompre salientar tamb\u00e9m o ciclo Mulleres en Acci\u00f3n que se leva realizando na cidade de Pontevedra desde o 2015, na que muitas criadoras galegas colabor\u00e1rom con ac\u00e7ons e na que se desenvolveu a performance Nin unha menos da artista Ana Gesto. Nesta ac\u00e7om, Gesto representa de jeito literal a carrega que o heteropatriarcado exerce sobre o corpo, atando diversas potas de barro \u00e0 cintura e arrastrando-as pola rua. O seu corpo tamb\u00e9m se cobre em terra ou deixa um rasto de cin\u00e7a (cousa que nos leva de volta aos elementos naturais de Ana Mendieta).<br \/>\nMar\u00eda Roja, em solit\u00e1rio ou junto com outras artistas como Alba Blanco ou Begonha Cuquejo, tamb\u00e9m emprega o corpo como elemento central do seu discurso. Em PASAESCALABRA, o coletivo Blanco+Roja reflexiona sobre a viol\u00eancia lingu\u00edstica e institucional que bate nos corpos, imitando um programa de televisom, coa colabora\u00e7om de diversas actrizes galegas feministas, como Marta P\u00e9rez.<br \/>\nPola sua banda, Mar\u00eda Marticorena emprega objetos como cordas que ou bem a aprisionam (Non) ou a deformam e ferem (Deixarme as unllas). O corpo serve tamb\u00e9m como espa\u00e7o para a retranca e os estereotipos nacionais, ponhendo cunchas de peregrino nos peitos (Heiche de tocar as cunchas).<\/p>\n<p>* (Performance do colectivo V\u00falvaras no 2016, formado pola autora e Laura Gil)<\/p>\n<p>+info:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.galizalivre.com\/2020\/05\/17\/o-corpo-como-eixo-politico-na-performance-feminista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.galizalivre.com\/2020\/05\/17\/o-corpo-como-eixo-politico-na-performance-feminista\/<\/a><\/p>\n<\/div><\/section><br \/>\n\n<style type=\"text\/css\" data-created_by=\"avia_inline_auto\" id=\"style-css-av-av_hr-65bd92347fddc685eba247be6d5a9a45\">\n#top .hr.hr-invisible.av-av_hr-65bd92347fddc685eba247be6d5a9a45{\nheight:40px;\n}\n<\/style>\n<div  class='hr av-av_hr-65bd92347fddc685eba247be6d5a9a45 hr-invisible  avia-builder-el-3  el_after_av_textblock  el_before_av_image '><span class='hr-inner '><span class=\"hr-inner-style\"><\/span><\/span><\/div><br \/>\n\n<style type=\"text\/css\" data-created_by=\"avia_inline_auto\" id=\"style-css-av-lnkf4hp3-a4e56d50d02f3227830446ed98d0ebd3\">\n.avia-image-container.av-lnkf4hp3-a4e56d50d02f3227830446ed98d0ebd3 img.avia_image{\nbox-shadow:none;\n}\n.avia-image-container.av-lnkf4hp3-a4e56d50d02f3227830446ed98d0ebd3 .av-image-caption-overlay-center{\ncolor:#ffffff;\n}\n<\/style>\n<div  class='avia-image-container av-lnkf4hp3-a4e56d50d02f3227830446ed98d0ebd3 av-styling- avia-align-center  avia-builder-el-4  el_after_av_hr  avia-builder-el-last '   itemprop=\"image\" itemscope=\"itemscope\" itemtype=\"https:\/\/schema.org\/ImageObject\" ><div class=\"avia-image-container-inner\"><div class=\"avia-image-overlay-wrap\"><img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" class='wp-image-6020 avia-img-lazy-loading-not-6020 avia_image ' src=\"https:\/\/mariaroja.com\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/o-corpo-como-eixo-politico.jpg\" alt='' title='o-corpo-como-eixo-politico'  height=\"690\" width=\"690\"  itemprop=\"thumbnailUrl\" srcset=\"https:\/\/mariaroja.com\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/o-corpo-como-eixo-politico.jpg 690w, https:\/\/mariaroja.com\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/o-corpo-como-eixo-politico-300x300.jpg 300w, https:\/\/mariaroja.com\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/o-corpo-como-eixo-politico-80x80.jpg 80w, https:\/\/mariaroja.com\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/o-corpo-como-eixo-politico-36x36.jpg 36w, https:\/\/mariaroja.com\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/o-corpo-como-eixo-politico-180x180.jpg 180w\" sizes=\"(max-width: 690px) 100vw, 690px\" \/><\/div><\/div><\/div><\/p><\/div><div  class='flex_column av-av_one_fifth-7bd3f5cd863a6256abcb544d7c276d96 av_one_fifth  avia-builder-el-5  el_after_av_three_fifth  avia-builder-el-last  flex_column_div  '     ><\/div><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":6020,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-8695","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-prensa-gl"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mariaroja.com\/gl\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8695","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mariaroja.com\/gl\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mariaroja.com\/gl\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mariaroja.com\/gl\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mariaroja.com\/gl\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8695"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mariaroja.com\/gl\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8695\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mariaroja.com\/gl\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6020"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mariaroja.com\/gl\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8695"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mariaroja.com\/gl\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8695"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mariaroja.com\/gl\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8695"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}